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Esse não é um blog bonito. Não é organizado. Não é inspirador todos os dias. Este espaço existe porque guardar tudo dentro, machuca. Os textos são escritos à mão livre. Sem filtro. Sem revisão. Sem correção gramatical. Do jeito que chegam, quando chegam. Às vezes confusos. Às vezes repetitivos. Às vezes pesados. Reais. ONDAS DE BIPOLARIDADE não é sobre superação. É sobre existência.
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Ser bipolar cansa
Ser bipolar é cansativo demais. Eu digo no sentido literal mesmo. Ser bipolar cansa. Demanda uma energia desgraçada que muitas vezes a gente nem tem, mas tem que tirar de algum lugar para sobreviver.
Eu digo que é cansativo porque o nosso corpo luta contra ele mesmo. Às vezes o corpo tá bom, mas a cabeça tá ruim, e às vezes a cabeça tá boa, mas o corpo tá cansado.
E saber equilibrar isso é o mais desafiador, pelo menos na minha (humilde) opinião. Porque, no fundo, a gente sabe que quando a cabeça tá ruim, com aqueles malditos pensamentos intrusivos que insistem em nos perturbar (só nós sabemos bem quais), tudo fica mais pesado.
Os meus, pelo menos na maioria das vezes, são esses: não sou boa o suficiente para conquistar ou para fazer nada. Ou então que as pessoas não se lembram de mim, que me suportam só porque eu sou útil em algumas coisas que elas não são.
Sei lá, são pensamentos idiotas (embora alguns façam sentido), mas que conseguem me consumir de uma maneira devastadora. No sentido literal da palavra. Tem dias que não sobra nada de mim. Eu acabo me entregando, e eles acabam tomando conta de mim, me consumindo mesmo.
E aí o que acontece é o seguinte:
Nos dias em que eu tô bem louca da cabeça, agitada, com mil pensamentos intrusivos me incomodando pra caralho, são os dias em que o meu corpo geralmente tá bem, tem energia. E eu preciso lutar, ser grandona mesmo, para vencê-los e obedecer à demanda de energia acumulada dentro do meu corpo.
Já nos dias em que a cabeça tá boa, onde só tem espaço para pensamentos positivos, em que eu traço mil planos na minha cabeça (mesmo sabendo que não vou cumprir nenhum deles, haha), em que eu tô mais good vibes, o corpo tá cansado, sem energia nenhuma acumulada para gastar.
E é isso que cansa, que desgasta e que enche o saco. São nesses dias que eu penso: que bosta ser bipolar, que bosta ter que viver com essa condição. Isso tudo é muito cansativo. Demanda um esforço maior para tentar equilibrar os pratinhos da vida e (tentar) viver com mais qualidade e estabilidade.
Acreditem ou não, só quem é bipolar sabe o quanto a vida pode ser ainda mais complexa.
Mas calma, que também tem os dias em que o corpo e a mente estão em absoluto equilíbrio. Eu costumo chamar de “dias normais (só que não)”. Nesses dias específicos, é como se nenhuma condição existisse dentro de mim. E são eles que fazem tudo valer a pena. É a vontade de viver mais dias assim que me faz continuar vivendo, mesmo sabendo que eles são a minoria.
E é isso. Bora viver esperando os dias normais (só que não), pra ver o que essa vida tem pra nos oferecer.
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