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Destaques

O primeiro e último dia!

Hoje eu quero falar de coragem . Da minha coragem. Coragem de ser eu … mesmo ainda não sabendo exatamente quem sou. Confuso, né? Eu sei. Mas vou tentar explicar. Voltei a trabalhar depois de 4 meses afastada. Nem preciso entrar nos motivos. E foi assim: o meu primeiro dia de volta foi também o meu último dia, pois eu simplesmente abandonei o trabalho. Sim, abandonei. Existem coisas na vida que a gente não precisa aceitar, nem passar e nem deixar passar. E uma delas é o abuso. Ninguém pode ultrapassar os nossos limites . E pra isso, a gente precisa saber exatamente quais são. Abandonei porque a diretora da escola achou que poderia me humilhar . E dessa vez eu disse não, mesmo sem dizer uma só palavra. Eu tive coragem de ir embora. De largar tudo como forma de dizer que eu não aceito ser tratada assim. Eu já fui muito abusada, infelizmente de TODAS as maneiras que você imaginar.  Hoje eu reconheço o abuso e não aceito. De ninguém. Voltei pra casa e tive muito orgulho de mi...

As bordas da vida

 


Na minha última sessão de terapia, estávamos falando sobre as bordas que eu preciso aprender a criar para me prevenir de cair novamente no mesmo buraco do qual ainda estou tentando sair. Enquanto a psicóloga me descrevia como seriam essas bordas, a importância delas e quais eu precisaria construir, eu conseguia visualizar tudo com clareza. Isso me ajudou a imaginar o quanto eu ficaria mais protegida caso conseguisse me resguardar com todas elas.

A primeira de todas é a paciência — e a persistência — com o meu tratamento. Os remédios levam tempo até fazerem o efeito esperado e eu, com toda a minha impaciência, já estou me cobrando uma melhora significativa. Calma, Mariana, calma! Bem que podiam inventar a calma a granel; eu gastaria todo o meu salário comprando a tal da calma.

Outra borda que preciso construir ao longo do buraco em que caí é a prática de exercícios diários. Eu sei que o exercício me faz bem, ah, se sei! Mas tenho preguiça e ainda não consegui fazer com que ele faça parte da minha rotina. Além disso, depois que parei de correr os 5 km, dei uma bela desanimada. Parece que, se não for para correr, eu nem quero… E é aí que preciso entender — e me esforçar: não precisa ser perfeito ou ideal, precisa apenas ser feito. O exercício é remédio para quem convive com algum problema de saúde mental.

Outra coisa que preciso construir nas minhas bordas é a prática de algo que eu goste, que me dê prazer e que me tire do olho do furacão onde meus pensamentos muitas vezes me colocam. Eu preciso ler mais, escrever mais, passar mais tempo de qualidade com a minha família, sair mais de casa e quem sabe até, tentar novas amizades. 

E, aos poucos, tenho tentado construir as minhas bordas em gestos simples e repetidos: seguir o tratamento mesmo quando a ansiedade pede pressa, levantar para caminhar mesmo sem vontade, respeitar meus limites quando o corpo pede pausa. Algumas bordas ainda estão frágeis, outras mal começaram a existir, mas já são uma tentativa de cuidado. Tenho pensado em estratégias reais para me proteger — organizar meus dias, reduzir excessos, falar mais e pedir ajuda antes de afundar — e em formas mais gentis de seguir, entendendo que prevenção também é amor-próprio. Talvez eu ainda escorregue, talvez algumas bordas precisem ser refeitas, mas hoje eu já sei: não estou mais andando distraída à beira do mesmo buraco.


Mari 🌻

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