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Esse não é um blog bonito. Não é organizado. Não é inspirador todos os dias. Este espaço existe porque guardar tudo dentro, machuca. Os textos são escritos à mão livre. Sem filtro. Sem revisão. Sem correção gramatical. Do jeito que chegam, quando chegam. Às vezes confusos. Às vezes repetitivos. Às vezes pesados. Reais. ONDAS DE BIPOLARIDADE não é sobre superação. É sobre existência.
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As bordas da vida
Na minha última sessão de terapia, estávamos falando sobre as bordas que eu preciso aprender a criar para me prevenir de cair novamente no mesmo buraco do qual ainda estou tentando sair. Enquanto a psicóloga me descrevia como seriam essas bordas, a importância delas e quais eu precisaria construir, eu conseguia visualizar tudo com clareza. Isso me ajudou a imaginar o quanto eu ficaria mais protegida caso conseguisse me resguardar com todas elas.
A primeira de todas é a paciência — e a persistência — com o meu tratamento. Os remédios levam tempo até fazerem o efeito esperado e eu, com toda a minha impaciência, já estou me cobrando uma melhora significativa. Calma, Mariana, calma! Bem que podiam inventar a calma a granel; eu gastaria todo o meu salário comprando a tal da calma.
Outra borda que preciso construir ao longo do buraco em que caí é a prática de exercícios diários. Eu sei que o exercício me faz bem, ah, se sei! Mas tenho preguiça e ainda não consegui fazer com que ele faça parte da minha rotina. Além disso, depois que parei de correr os 5 km, dei uma bela desanimada. Parece que, se não for para correr, eu nem quero… E é aí que preciso entender — e me esforçar: não precisa ser perfeito ou ideal, precisa apenas ser feito. O exercício é remédio para quem convive com algum problema de saúde mental.
Outra coisa que preciso construir nas minhas bordas é a prática de algo que eu goste, que me dê prazer e que me tire do olho do furacão onde meus pensamentos muitas vezes me colocam. Eu preciso ler mais, escrever mais, passar mais tempo de qualidade com a minha família, sair mais de casa e quem sabe até, tentar novas amizades.
E, aos poucos, tenho tentado construir as minhas bordas em gestos simples e repetidos: seguir o tratamento mesmo quando a ansiedade pede pressa, levantar para caminhar mesmo sem vontade, respeitar meus limites quando o corpo pede pausa. Algumas bordas ainda estão frágeis, outras mal começaram a existir, mas já são uma tentativa de cuidado. Tenho pensado em estratégias reais para me proteger — organizar meus dias, reduzir excessos, falar mais e pedir ajuda antes de afundar — e em formas mais gentis de seguir, entendendo que prevenção também é amor-próprio. Talvez eu ainda escorregue, talvez algumas bordas precisem ser refeitas, mas hoje eu já sei: não estou mais andando distraída à beira do mesmo buraco.
Mari 🌻
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