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Esse não é um blog bonito. Não é organizado. Não é inspirador todos os dias. Este espaço existe porque guardar tudo dentro, machuca. Os textos são escritos à mão livre. Sem filtro. Sem revisão. Sem correção gramatical. Do jeito que chegam, quando chegam. Às vezes confusos. Às vezes repetitivos. Às vezes pesados. Reais. ONDAS DE BIPOLARIDADE não é sobre superação. É sobre existência.
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Várias vidas em uma vida
Sobre fases, recomeços e se reinventar
Ontem me lembrei dos tempos em que eu escrevia sobre AUTO, todos os autos possíveis e imagináveis: autoamor, autocuidado, autoconhecimento, autoajuda, autoconfiança… e eu poderia listar mais um monte (ai, que vergonha de mim mesma, por ter me achado tão detentora de tantos autos assim).
Mas mesmo tendo uma certa vergonha, eu me orgulho, porque de alguma forma o que eu escrevia e o que eu produzia de conteúdo chegou em várias mulheres, e eu sei que naquela época, de alguma maneira, eu pude ajudá-las. Elas me davam feedbacks muito legais. Acredite ou não, eu me atrevi até a fazer um workshop, hahaha. Parece mentira, né? Mas não é. É engraçado, né? Eu dando um workshop sobre um montão de “auto”.
E foi mesmo. Mas foi legal demais, me senti tão útil, tão bem. Fiz esse workshop com uma nutricionista muito boa, por sinal (Juliany). O tema foi “METAMORFOSE. Transforme a sua relação com o corpo e a comida em 4 fases”. Aí abordamos os temas nas etapas da metamorfose de uma borboleta.
Enfim, desculpa a indecência, mas foi bem útil para aquelas mulheres que participaram (e acredite ou não, elas pagaram. Sim, a gente cobrou).
Mas vamos ao que interessa.
Nessa época em que eu escrevia sobre todos os autos possíveis, eu estava equilibrada. Acho que foi a minha melhor fase. Onde o corpo e a cabeça estavam alinhados, balanceados por completo. Foi uma fase tão gostosa, e às vezes bate uma saudade. Saudade da minha cabeça boa, forte, positiva. Saudade do meu corpo bem, não só fisicamente falando (até porque eu estava uma grande gostosa), mas digo de movimento mesmo. Era um corpo disposto, com vontade de viver. Lembro de me sentir extremamente bem.
Mas claro, eu tinha saído de uma crise, estava indo super bem com a medicação, fazendo terapia. Estava tendo todos os acompanhamentos necessários para me equilibrar. E consegui. Essa fase durou bem uns três anos (será que vou viver outra fase como essa? Não sei).
Mas, como já cantava nosso maravilhoso Chorão, “só o que é bom dura tempo o bastante pra se tornar inesquecível”. Essa fase se foi e realmente se tornou inesquecível. E cá estou, colocando a cabeça pra fora do mesmo buraco que já me sugou várias vezes, tentando juntar os cacos do que sobrou e reconstruir uma nova versão de mim. Afinal, existem muitas vidas em uma vida.
O que fica disso tudo é que a vida é feita de ciclos, altos e baixos, certezas e incertezas, felicidade e tristeza.
E a beleza é perceber que podemos — e iremos sempre — nos reinventar e construir novas fases, novos nós mesmos. Mesmo que, em todos esses recomeços, nossas versões sejam diferentes, iremos sempre encontrar formas de nos sentir bem, equilibrados e vivos.
Mesmo que pareça impossível, eu tenho certeza que isso vai acontecer. Sabe por quê? Porque sempre aconteceu em todas as vezes que eu renasci.
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